FENÔMENO

Cruzeiro: Há 30 anos, Ronaldo fazia seu último jogo oficial com a camisa celeste

No dia 15 de maio de 1994, o então garoto Ronaldo fazia sua última partida oficial pelo Cruzeiro, com direito a gol, celebração de título e 'pintura'; relembre

Por Frederico Teixeira
Publicado em 15 de maio de 2024 | 03:30
 
 
 
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Os pouco mais de 23 mil torcedores do Cruzeiro que foram ao Mineirão há exatos 30 anos, naquele dia 15 de maio de 1994, podiam até não saber, mas presenciavam aquele que seria último jogo oficial de Ronaldo com a camisa celeste.

A partida contra o Patrocinense, pela nona rodada do returno do Campeonato Mineiro (então disputado em pontos corridos), tinha ares de comemoração, pois o Cruzeiro já entrou em campo como campeão estadual, mesmo ainda faltando duas rodadas para o término da competição. 

E com apenas 17 anos, o garoto dentuço, que ainda não havia completado sequer uma temporada como profissional (havia estreado em 25 de maio de 1993, em um jogo contra a Caldense), já dava mostras do Fenômeno que se tornaria no mundo do futebol. 

E não por acaso. Ronaldo mostrou seu brilho do início ao fim, tendo balançado as redes desde a primeira rodada do Estadual, quando o Cruzeiro ainda era comandado pelo técnico Nelinho, que seria substituído depois por Ênio Andrade.

Para Ronaldo, a partida contra o Patrocinense, no Mineirão, ainda significava uma comemoração extra: afinal, cinco dias antes, ele havia sido convocado pelo técnico Carlos Alberto Parreira para disputar a Copa do Mundo nos Estados Unidos. Isso tendo feito apenas duas partidas amistosas com a Amarelinha (diante de Argentina e Islândia).

E Ronaldo voltou a deixar sua marca. Após cruzamento do lateral-direito Paulo Roberto, o atacante se antecipou à marcação para, de cabeça, marcar o gol da vitória celeste. Foi o 22º gol dele no torneio.

Pintura anulada


E o número só não foi ainda maior em função de um erro da arbitragem. Afinal, Ronaldo ainda faria um daqueles chamados 'gols de placa'.

Lançado pelo goleiro Dida, Ronaldo saiu em disparada de seu próprio campo, e, na corrida, driblou dois zagueiros, o goleiro do Patrocinense e concluiu forte, com a bola batendo na parte interna do travessão antes de ultrapassar a linha do gol. Só que o bandeira havia assinalado impedimento, para tristeza do garoto.

"Juiz deu um impedimento, que realmente eu não vi. A bola lançada do goleiro, eu estava no meu campo, eu acho. O bandeirinha marcou, o juiz apitou e eu realmente não ouvi, por isso ele me deu cartão amarelo", lamentou Ronaldo, na ocasião, ao dar entrevistas ainda dentro do gramado do Mineirão.

Mas o gol anulado não acabaria 'fazendo falta'. Ronaldo foi o artilheiro do Estadual, com 22 tentos nos 19 jogos que disputou.

Como prêmio pela artilharia, faturou 1.000 dólares, o que, na moeda da época correspondia a cerca de 36 vezes o salário-mínimo vigente no país. Uma pequena 'fortuna' para um jovem de 17 anos, mas quase insignificante para o que o Fenômeno abocanharia depois em sua carreira.

Nos bastidores, após a partida, até o quase sempre sério treinador quebrou o protocolo para enfatizar os feitos do garoto. "Nós estamos contentes porque na despedida do Ronaldo ele fez o gol que deu a vitória para o Cruzeiro, então foi uma festa completa", citou Ênio Andrade, ainda dentro do gramado do Mineirão. 

Daí pra frente, é só história. Dois dias depois, Ronaldo se apresentou à seleção brasileira no Rio de Janeiro. Enquanto a preparação para a Copa seguia, seus colegas de Cruzeiro disputaram mais duas partidas e mantiveram o time invicto.

Na Copa do Mundo, mesmo sem entrar em campo, Ronaldo se sagraria campeão mundial. Depois, ainda entraria em campo pelo Cruzeiro diante do Botafogo, no dia 7 de agosto de 1994, mas a partida não era oficial e sim um amistoso (foram cinco substituições em cada time, quando a regra na época previa apenas duas). 

Ronaldo já estava vendido ao PSV, da Holanda, onde começaria a dar seus primeiros passos no futebol europeu após brilhar no Cruzeiro, clube pelo qual marcou 56 gols em 58 jogos.

Quase três décadas depois, Ronaldo voltou ao Cruzeiro, mas agora como 'dono'. Ele adquiriu 90% das ações da SAF celeste. E no momento em que o clube vivia seu pior momento, praticamente com as finanças destruídas pelas gestões anteriores, teve como principal desafio tirar o clube da Série B e recolocar a casa 'em ordem'.

Somente no início deste mês, Ronaldo negociou suas ações com o empresário Pedro Lourenço, que passou a ser o novo gestor do Cruzeiro.

 


O último jogo oficial de Ronaldo pelo Cruzeiro 


Ficha Técnica

Cruzeiro 1x0 Patrocinense

Cruzeiro
Dida; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Helinho; Ademir, Toninho Cerezo, Cleison (Careca) e Macalé (Catê); Ronaldo e Roberto Gaúcho. Técnico: Ênio Andrade

Patrocinense
Fernando; Ronaldinho, Amaral, Cica e Nei; Eurico, Biro Biro, Daniel e Alcântara; Fabiano e Marquinhos (Marcos Daniel). Técnico: Wanderley Paiva

Motivo: 9ª rodada do returno do Campeonato Mineiro 1994
Data: 15 de maio de 1994
Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte
Árbitro: Jeferson Geraldo Alexandrino
Auxiliares: Luiz Gonzaga Soares Azevedo e Walter Justino dos Reis
Gol: Ronaldo, aos 8 do 1º tempo
Cartão amarelo: Ronaldo (C)
Cartão vermelho: Ronaldo (C), Alcântara (P)
Público: 23.178
Renda: Cr$ 68.548.500

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