A medalha de ouro não veio nem para a seleção masculina nem para a feminina, mas as campanhas na Liga das Nações de Vôlei (VNL) deixam sensações diferentes no torcedor brasileiro. Para a seleção feminina, o clima que fica é o de expectativas superadas; já em relação aos homens, prevalece o gosto de ‘poderia ter chegado mais longe’.

Com um time jovem, em que grande parte vestiu a camisa da seleção adulta pela primeira vez, o elenco feminino encontrou um bom estilo de jogo, lideradas pelo técnico tricampeão olímpico José Roberto Guimarães. Estrelas da nova geração corresponderam à altura e brilharam em um dos maiores palcos do esporte. O trio do Gerdau Minas Kisy, Júlia Kudiess e Nyeme são só alguns dos nomes de destaque da nova geração do vôlei nacional nessa campanha da medalha de prata. Júlia Bergmann, de 21 anos, também foi grata surpresa. Jogando na liga universitária dos Estados Unidos, a ponteira se mostrou de vez como um ótimo nome na entrada de rede brasileira.

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A derrota para a Itália na final evidenciou a diferença técnica entre as duas seleções no momento, mas, no fim das contas, o saldo positivo entusiasma e mostra o caminho da preparação para o Mundial, que começa em 23 de setembro.

“Fica o que a gente construiu em todo o campeonato, quem jogou, quem não jogou, e tudo que precisamos fazer para evoluir. Estou feliz por isso. Triste pelo resultado da final, mas feliz pela geração que vem, pela luta, dedicação e atitude que essas meninas tiveram o tempo inteiro”, analisou o técnico Zé Roberto após a final.

No masculino, a campanha, marcada por lesões e derrotas que poderiam ser evitadas, deixa no torcedor a sensação de que o time poderia ter feito muito mais. O elenco é um dos melhores do mundo, com atletas campeões olímpicos e uma camisa de peso. A queda para os Estados Unidos nas quartas de final foi em um jogo apertado, de alto nível, mas ficar fora do pódio derrubou os brasileiros para o terceiro lugar do ranking mundial após mais de 20 anos na liderança.

A lesão do oposto Alan, destaque absoluto do time, poderia ter abalado o elenco, mas o baque foi mais leve devido ao irmão mais novo do craque, Darlan, que o substituiu à altura. Sem Alan, Felipe Roque - também lesionado - e Franco, que pediu dispensa, o Brasil jogou uma fase inteira somente com um oposto, limitando as opções do técnico Renan Dal Zotto. 

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No lado positivo, a evolução do time foi notória. O Brasil começou a VNL mostrando um voleibol abaixo do esperado, e encontrou bom ritmo de jogo ao longo do campeonato para chegar na fase final em seu melhor momento. Com alguns detalhes a serem trabalhados, principalmente na hora de substituir os desfalques, o elenco terá um mês para se preparar para o Campeonato Mundial, que começa no dia 26 de agosto, e aumentar ainda mais o nível do jogo.

“Qualquer uma das oito equipes que chegaram (na fase final) têm condições de ganhar a VNL ou o Campeonato Mundial. O vôlei masculino está muito equilibrado, assim como o feminino também está hoje em dia. O Campeonato Mundial é nosso foco, nós temos um bom tempo de preparação e sabemos que evoluímos com preparação. É nítida a evolução da primeira rodada da VNL para a fase final”, comentou o central Lucão, do Sada Cruzeiro.

No Mundial, o desafio para as seleções do Brasil é ainda maior. Serão 48 seleções - 24 em cada naipe - na briga pelo troféu. No masculino, quem defende o título é a Polônia, que também será anfitriã. Já no feminino, a Sérvia é a atual campeã.

Campeonato Mundial de Vôlei 2022

Masculino
Sedes
: Polônia e Eslovênia
Data: 26 de agosto a 11 de setembro
Grupo do Brasil: Japão, Cuba, Catar e Brasil

Feminino
Sedes
: Holanda e Polônia
Data: 23 de setembro a 15 de outubro
Grupo do Brasil: China, Japão, Argentina, Colômbia, República Tcheca e Brasil