Super.FC
14/10/21
14h59

Crise

Greve no Cruzeiro: veja o que se sabe sobre paralisação dos jogadores

Com ausência de presidente, clube ainda não se manifestou sobre o assunto

Delegação cruzou os braços nesta quinta-feira (14) — Foto: Bruno Haddad / Cruzeiro
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14/10/21 - 14h59

Começou nesta quinta-feira (14) a paralisação dos treinamentos dos jogadores do Cruzeiro, que cobram, não só por eles, mas por todos os funcionários do clube, a quitação de salários atrasados. Em carta divulgada à torcida nessa quarta-feira (13), atletas relatam que dívidas estão pendentes há aproximadamente seis meses. Veja o que sabe sobre essa greve até aqui:

A carta

Não é surpresa para ninguém que o Cruzeiro vive o pior momento de sua história, tanto dentro de campo, onde vai para o terceiro ano seguido da Série B do Campeonato Brasileiro, e fora, somando dívidas com funcionários, ex-funcionários e times – uma delas fez o clube tomar um transferban da Fifa, que é a impossibilidade de registrar novos atletas.

Conforme a carta publicada pelo elenco, primeiramente pelo capitão Fábio, a situação é insustentável, principalmente porque a direção do clube não tem uma posição clara sobre o assunto. Além disso, objetivo é dar voz aqueles servidores que atuam nos bastidores e sofrem com o mesmo problema.

"Confessamos que é desgastante e angustiante escrever essa carta para alcançarmos direitos, em razão das insustentáveis condições. Não iremos nos calar, por esse motivo, estamos aqui para dar voz, principalmente aos funcionários que têm sofrido com a atual situação. Informamos que diante dos reiterados atrasos salariais neste ano de 2021, onde chegou ao ponto insustentável de termos até 6 (seis) meses de atrasos, o que demonstra a precária situação financeira a que estão expostos todos os funcionários, que atualmente estão sendo socorridos pelo auxílio/ajuda financeira dos atletas profissionais para manutenção das necessidades básicas de sobrevivência", diz trecho.

Leia mais: Oito pontos que levaram os jogadores do Cruzeiro a fazerem greve nesta semana

"Informamos à gestão do Cruzeiro Esporte Clube que estaremos aguardando o cumprimento das obrigações no prazo mais breve possível, sendo lamentável ver o sofrimento dos colaboradores que dedicam seus dias a manter essa centenária e vitoriosa instituição. Faremos a paralisação dos treinamentos em voz a todos os colaboradores que amam o Clube e estão desamparados. Infelizmente, ficou intolerável e injustificável a forma como atletas e funcionários estão sendo geridos. Não aceitaremos essa negligência que tem afetado famílias que dedicam seu tempo, seu suor, seu esforço para cuidar, zelar e servir essa instituição tão amada Cruzeiro Esporte Clube", completa.

Jogadores se reapresentam?

Conforme informações levantadas, os atletas ainda não se reapresentaram na Toca da Raposa II nesta quinta-feira. Os jogadores devem aguardar alguma resposta da direção, que permanece em silêncio.

Só os profissionais param?

Não. Os jogadores do time Sub-20 também compartilharam a carta em suas redes sociais e aderiram à paralisação dos treinamentos.

E Luxemburgo?

Ao que tudo indica, o técnico Vanderlei Luxemburgo é a favor da greve, mas não postou a carta. Inclusive, uma de suas exigências ao vir para Belo Horizonte era os salários em dia, o que não foi cumprido pela direção.

Conforme o Super.FC apurou, a paralisação era para ter acontecido dias atrás, mas, a pedido do comandante, ela foi adiada para não atrapalhar os jogos. Saiba mais AQUI.

É legal?

Conforme o advogado especialista em direito desportivo e colunista do blog especializado Lei em Campo Gustavo Lopes, a greve é ilegal. "O direito de greve é constitucionalmente garantido, entretanto, deve obedecer os requisitos da Lei 7.783/89 (motivo forte, e justo; tentativa de negociação prévia; aprovação via assembleia e aviso prévio da greve ao empregador, com prazo mínimo de 48 horas). No caso do Cruzeiro não vislumbro a existência dos requisitos, pelo quê, vejo como ilegal a paralisação", diz.

Ele ainda completa, falando sobre o que os funcionários podem fazer legalmente. "Os atletas, diante dos salários atrasados, podem buscar na Justiça do Trabalho a rescisão do contrato e a cobrança dos valores, mas não paralisar sem que antes cumpra os requisitos legais", explica.

Posicionamento do clube

Até o momento, o Cruzeiro não se manifestou sobre o assunto e não deu indicativos sobre o que irá acontecer. O presidente Sérgio Santos Rodrigues está voltando de uma viagem à Europa, onde deu palestra sobre gestão no futebol brasileiro, e deve definir, ainda nesta quinta, se dará entrevista coletiva ou se posicionará através de sua assessoria de imprensa.

O que disse o presidente

No evento, ocorrido em Portugal, Rodrigues minizou as crítcas que ele vem sofrendo, mas não citou a greve, que ainda estava sendo orquestrada. "É um desafio também estar nesse momento do Cruzeiro, não falta quem critique sempre. Tem gente que fala: 'o Cruzeiro está na 10ª posição [11ª posição na verdade], e o presidente está em Portugal'. Como se isso fosse a pior das coisas e por isso que o Cruzeiro está na 10ª posição. Críticas a isso também não faltaram. É mais um desafio a gente poder estar aqui", disse na tarde desta quarta-feira.

Como fica o próximo jogo?

Coincidência ou não, a próxima partida da Raposa é só na sexta-feira da semana que vem, dia 22 de outubro, portanto, ainda é cedo para dizer se há risco dos atletas não entrarem em campo. Confronto será contra o Avaí, em Florianópolis, pelo Brasileirão.

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