A confirmação da desistência do Botafogo da Superliga masculina de vôlei foi apenas o último capítulo de uma história que se arrastou por meses. Com quatro salários atrasados, os jogadores suportaram até onde foi possível e a decisão de colocar um ponto final veio da diretoria, mesmo com o elenco disposto a atuar no maior torneio do país sem receber seu ordenado.
Em apuração ao lado do líbero Serginho, colunista dos jornais O Tempo e Super Notícia, do portal Super.FC e da rádio Super, a reportagem teve conhecimento de como o caso de enrolou nos bastidores do clube carioca. A vaga na competição será ocupada pelo Caramuru (PR), que realizou manobra jurídica mesmo ainda devendo o elenco da última temporada.
A saída do alvinegro pegou muitos de surpresa, uma vez que contratações foram anunciadas pouco tempo depois do título da Superliga B. A vaga na final do Carioca 'caiu no colo' do Campos (RJ), que havia perdido para o Botafogo na semifinal do Estadual. "Montaram o time sem ter dinheiro em caixa, acreditando na palavra de possíveis patrocinadores. Alguns atletas correram o risco de serem despejados do apartamento alugado por falta de pagamento, a energia foi cortada mesmo com o pagamento em dia. Fomos humilhados e, mesmo assim, acreditamos que daria certo. Mantivemos o omprometimento e seguimos treinando forte", conta o líbero Vanderson, ex-Sada Cruzeiro, que agora procura um clube na Superliga B. Segundo ele, o elenco teve conhecimento da notícia por meio do Instagram do clube.
Uma alternativa foi jogar sem receber, mantendo viva a esperança de novos rumos nos meses seguintes. O contato com a diretoria, que poderia encontrar uma solução, foi decepcionante. "O presidente Nelson Mufarrej disse que poderíamos processar o clube, que não iríamos jogar. A diretoria sabia da possibilidade de não conseguir recursos e, mesmo assim, decidiram pela apresentação da equipe. Foram em frente sem garantia de verba. O Botafogo não merece os dirigentes que tem. Alguns atletas conseguiram outras equipes, mas a grande maioria são jovens. Esses dirigentes amadores podem ter acabado com a carreira de muitos ali. Lamentável não termos um respaldo da CBV, eles não olham pelos atletas, sempre ficamos refém e desamparados. A sensação é de tristeza, decepção e desespero", disparou o atleta. Com os elencos de dentro e fora do Brasil praticamente fechados, o futuro dos jogadores que haviam acertado com o Botafogo é incerto.