'tráfico de pessoas'

Cuba e Rússia mantêm 'contato' sobre recrutamento de cubanos para a Ucrânia

No início do mês, o governo cubano informou sobre uma rede que recrutava pessoas na ilha para atuarem como mercenários na guerra

Por Agências
Publicado em 27 de setembro de 2023 | 15:42
 
 
 

As autoridades de Moscou e Havana mantêm "contato" sobre os cubanos que se alistaram no Exército russo para participar da guerra na Ucrânia, informou o embaixador russo em Cuba, Victor V. Koronelli, nesta quarta-feira (27).

"Os órgãos competentes estão trabalhando, estão em contato tanto de parte da Rússia quanto do lado cubano", disse o diplomata, durante a entrega de uma doação para a população vulnerável de Cuba.

Koronelli foi questionado pela imprensa se a representação diplomática tinha conhecimento de pessoas que estavam se alistando nas Forças Armadas de seu país. "Não sei quantos estão lá", acrescentou, referindo-se aos cubanos recrutados. 

No início do mês, o governo cubano informou sobre uma rede criminosa que recrutava pessoas na ilha para atuarem como mercenários na guerra da Ucrânia ao lado do Exército russo. Também advertiu que aplicaria "a força da lei" contra pessoas que participassem de um exército estrangeiro por considerar que estariam incorrendo no crime de "mercenarismo". 

Depois disso, foi anunciada a prisão de 17 pessoas envolvidas, três das quais seriam recrutadores e outros 14 cubanos que supostamente planejavam partir para a Rússia e se alistar em seu Exército. 

"Posição inequívoca"

Em 14 de setembro, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reiterou em sua conta na rede social X (antigo Twitter) que a "posição inequívoca" de seu governo "é contrária à participação de cidadãos cubanos em qualquer conflito, contra o mercenarismo e contra o tráfico de pessoas". 

As autoridades judiciais anunciaram que os detidos poderão ser acusados de crimes de "tráfico de seres humanos, mercenarismo (e) atos hostis em um Estado estrangeiro", o que poderá resultar em sentenças de 30 anos, prisão perpétua e até a pena de morte. 

Até agora, as autoridades cubanas não informaram o estado do processo judicial dos 17 detidos. 

No início de setembro, os cubanos Andorf Velázquez e Alex Vega, ambos com 19 anos, afirmaram, por meio de videochamadas à imprensa em Miami, que haviam sido recrutados mediante fraude por pessoas que os contataram no Facebook para trabalhar como pedreiros em canteiros de obras na Ucrânia com o Exército russo. 

No entanto, denunciaram que foram enviados para a linha de frente.

Rússia e Cuba estreitaram as relações desde novembro, quando o presidente Miguel Díaz-Canel se reuniu com Vladimir Putin em Moscou. Delegações empresariais e diplomáticas visitaram os dois países este ano.

O ministro da Defesa cubano, Álvaro López Miera, foi recebido em junho pelo seu homólogo russo, Sergei Shoigu. Ele também viajou para Belarus, que apoia Moscou no conflito com a Ucrânia.

(AFP)
                
 

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