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Problemas na produção freiam venda mundial de armas, diz estudo

De acordo com relatório, as 100 maiores empresas armamentistas venderam armas e serviços para o setor militar no valor de US$ 597 bilhões em 2022, uma redução de 3,5% em relação a 2021

Por Agências
Publicado em 04 de dezembro de 2023 | 18:19
 
 
 

As receitas dos principais fornecedores de armas do mundo diminuíram em 2022 devido a problemas de produção que impediram lidar com o aumento da demanda, amplificado, entre outras razões, pela guerra na Ucrânia, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (4).

De acordo com um novo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), as 100 maiores empresas armamentistas venderam armas e serviços para o setor militar no valor de US$ 597 bilhões (R$ 2,93 trilhões) em 2022, uma redução de 3,5% em relação a 2021.

No entanto, as tensões geopolíticas e a invasão russa da Ucrânia alimentaram a demanda global por armas e equipamentos militares, tornando a queda nas receitas "inesperada", disse à AFP Diego Lopes da Silva, pesquisador do Sipri.

"O que realmente mostra essa diminuição é a lacuna entre um choque na demanda, como o provocado pela guerra na Ucrânia, e a capacidade das empresas de aumentar a produção para responder", explicou Lopes da Silva.

Segundo o Sipri, essa situação se deve em grande parte à queda nas receitas dos principais fabricantes de armas dos Estados Unidos, que enfrentaram "problemas na cadeia de abastecimento e escassez de mão de obra" relacionados à pandemia de covid-19.

Os Estados Unidos registraram uma queda de 7,9% nas vendas de armas em 2022, mas ainda representaram 51% das receitas globais com armamentos naquele ano, com 42 empresas americanas entre as 100 maiores do mundo.

'Vulnerável'

Os fornecedores americanos geralmente produzem sistemas de armas mais complexos do que os demais. "Isso significa que a cadeia de abastecimento também é mais complexa e tem mais etapas, o que a torna mais vulnerável", analisou Lopes da Silva.

As receitas dos fabricantes de armas russos também caíram significativamente, 12%, para US$ 20,8 bilhões (R$ 102 bilhões), segundo o relatório.

Isso se deve em parte às sanções impostas à Rússia, mas também pode ser resultado de atrasos nos pagamentos por parte do Estado russo, observou o pesquisador.

Por outro lado, apenas duas empresas russas foram incluídas no top 100 "devido à falta de dados disponíveis", informou o Sipri.

Os fabricantes de outras regiões do mundo, onde os equipamentos militares produzidos são menos complexos, conseguiram atender à demanda, como na Ásia-Pacífico e no Oriente Médio.

Esta última região teve o maior aumento, com um crescimento de 11% para 17,9 bilhões (R$ 87,8 bilhões). A Baykar, uma empresa turca que fabrica drones muito usados na Ucrânia, viu suas receitas aumentarem em 94%.

As receitas combinadas dos fornecedores de armas da Ásia e Oceania aumentaram 3,1%, atingindo US$ 134 bilhões (R$ 657 bilhões) em 2022.

A China, um dos principais exportadores de armas do mundo, viu suas oito empresas incluídas no ranking aumentarem suas receitas totais em 2,7%, para 108 bilhões (R$ 530 bilhões).

Para o futuro, Lopes da Silva não vê sinais de desaceleração da demanda. "Os pedidos e a carteira de pedidos das empresas aumentam consideravelmente", disse à AFP.

Além disso, muitos países europeus se comprometeram a aumentar seus gastos militares após a invasão russa da Ucrânia, em alguns casos até 2030. (AFP)

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