Proteção à criança

40% dos pais não têm senha dos filhos na internet, diz Ministra da Mulher

Para ministra, os pais não estavam preparados para o rápido avanço da tecnologia para conter avanço de exploração sexual de menores

Por Bruno Torquato
Publicado em 21 de outubro de 2022 | 18:36
 
 
 
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A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Cristiane Britto, disse que 40% dos pais no Brasil não têm a senha de seus próprios filhos nas redes sociais e que é preciso que os responsáveis tenham, ao menos, curiosidade do que as crianças e adolescentes fazem na internet ou com quem conversam. Para ela, os pais não estavam preparadas para lidar com o ambiente online devido ao rápido avanço da tecnologia, o que dificultaria o combate à exploração sexual no Brasil.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que consolidou dados de estupro de vulnerável, 53,8% desse tipo de violência era praticada contra meninas com menos de 13 anos em 2019. Esse número aumentou para 57,9% em 2020 e 58,8% em 2021.

“Um a cada três usuários de internet, é criança. Cerca de 40% dos pais nunca tiveram acesso à senha de redes sociais de seus filhos. Uma a cada 6 criança já teve contato com contéudo sexual na internet. Importante que os pais procurem, não controlar, mas saber, ter curiosidade se durante o período das 22h às 6h, que é o período que os predadores mais atacam, o que as crianças estão fazendo. Com quem ele está jogando. São nos jogos que essas pessoas se infiltraram. Tive a experiência de representar o Brasil na Youth Protect, que é um grupo que reúne vários países para combater a violência sexual na internet e ouvi que o Brasil é um dos paises que mais exportam vídeos e imagens pornografica de crianças na internet. Nós estamos sim alimentando a pornografia no mundo”, afirmou a Ministra durante em entrevista ao programa 15 Minutos com Sapia.

Cristiane também ressaltou a importância de denunciar casos de abusos de menores no Disque 100, que é o número oficial do Governo Federal para denúncia de violação dos direitos humanos. “É garantido anonimato, então qualquer terceiro pode denunciar. Às vezes a pessoa liga não para fazer uma denúncia, mas para saber se ela pega uma informação de um Conselho Tutelar mais próximo, de uma Casa da Mulher Brasileira (centro especializado no atendimento à mulher em situação de violência doméstica) mais próxima”, afirmou.

Já sobre violência contra mulheres, a ministra indicou que seu ministério tem materiais de apoio para quem se encontra em vulnerabilidade. “Você não está sozinha. Nós temos aqui cartilhas para explicar para você como exercer seus direitos, dos tipos de violência. Muitas mulheres sequer sabem que violência psicológica agora é crime”, finalizou.

Ela ressaltou que o tempo para ser atendido no Disque 100 é menor que um minuto. “Há três anos, eram 40 minutos”, ressaltou ao indicar que outra forma de atendimento é pelo WhatsApp. “Tem muita gente que acha que é um robô que vai atender do outro lado. Não é um robô, é um atendente que passa por uma capacitação periódica”.

Ainda sobre o combate à violência, Cristiane ressaltou que a desinformação gerada por fake news é um problema para o ministério, já que, segundo ela, corre contra o tempo para avançar em políticas que estariam estagnadas. “Principalmente quando se fala da ouvidoria nacional de Direitos Humanos, dos nossos canais de denúncia, do que é realidade o que não é em termos de violação de direitos. A dica que eu dou é tá na dúvida, entra no site ver. A gente tem procurado colocar por meio de notas e se manifestar sobre os nossos programas, projetos e nossas cartilhas”.

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