Investigação

Quem é o pastor acusado de liderar grupo que prometia lucro de até R$ 1 octilhão

Osório José Lopes Júnior, que mora em uma mansão em condomínio de São Paulo, tem longo histórico de acusações criminais

Por Renato Alves
Publicado em 20 de setembro de 2023 | 12:08
 
 
 

O pastor evangélico Osório José Lopes Júnior é o principal alvo da operação desencadeada pela Polícia Civil do Distrito Federal, nesta quarta-feira (20), contra um grupo acusado de praticar golpes financeiros contra mais de 50 mil vítimas do Brasil e do exterior. Ele não foi encontrado em sua mansão no Alphaville, condomínio de luxo em São Paulo. Agora é considerado foragido da Justiça.

Osório Júnior é apontado como líder do grupo criminoso que tem dezenas de pastores evangélicos, que movimentaram R$ 156 milhões em 5 anos, além de criar 40 empresas fantasmas e ter mais de 800 contas bancárias suspeitas, segundo a polícia brasiliense. Iniciada há um ano, a investigação aponta que os investigados prometiam retornos “imediato e rentabilidade estratosférica”.

Os pastores são acusados de induzir fiéis, que frequentavam suas igrejas, a pensarem que eram “abençoados a receberem grandes quantias”. Os religiosos usavam uma teoria conspiratória conhecida como “Nesara Gesara”, dizendo que seria possível investir pouco e ganhar muito.

“Foi detectada, por exemplo, a promessa de que somente com um depósito de R$ 25 as pessoas poderiam receber de volta nas ‘operações’ o valor de um octilhão de reais, ou mesmo ‘investir’ R$ 2 mil para ganhar 350 bilhões de centilhões de euros”, diz a Polícia Civil em nota.

Grupo usava até o nome de Paulo Guedes para enganar fiéis

O pastor Osório José Lopes Júnior, que é deficiente visual, afirmava em suas pregações e nas rede sociais que os títulos oferecidos já contariam com autorização do governo federal, por meio do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, para serem pagos.

No golpe, além dos púlpitos das igrejas, o pastor Osório Júnior usava o YouTube, onde tem um canal com mais de 70 mil inscritos e cerca de 500 vídeos publicados.  Em seus vídeos, em meio às pregações, pede dinheiro para a “operação”, seu supostos milagres financeiros. 

As vítimas assinavam contratos falsos, com promessas de liberação de quantias desses investimentos, que estariam registrados no Banco Central e no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Pastor já era investigado por aplicar golpe em fiéis no interior de Goiás

Natural de Goiás, Osório Júnior tem longo histórico de acusações criminais. As primeiras remetem a 2018, quando começou a ser investigado por aplicar golpes em fiéis de Goianésia, na região central de Goiás, e em moradores de outros estados do país. À época, ele e outro pastor alegavam que haviam ganhado um título de R$ 1 bilhão, mas precisavam reunir fundos para conseguir recebê-lo.

Osório Júnior prometia lucros até 10 vezes acima dos valores repassados pelas vítimas e conseguiu cerca de R$ 15 milhões com o golpe. Para uma das vítimas, prometeu repassar mais de R$ 2 quatrilhões, valor que supera as fortunas somadas das 10 pessoas mais ricas do mundo.

O pastor chegou a ficar um mês preso em 2018, quando ainda morava em Goianésia. Após conseguir o direito a responder ao processo em liberdade – ainda não houve julgamento –, ele se mudou para São Paulo e voltou a cometer o mesmo tipo de crime, conforme a Polícia Civil do DF. 

Homem foi preso ao simular crédito de R$ 17 bilhões

A Polícia Civil do DF prendeu, em dezembro de 2022,  um suspeito de envolvimento no esquema, em Brasília. Ele usou documento falso em uma agência bancária da Asa Sul, na capital federal, simulando possuir crédito de R$ 17 bilhões.

Mesmo após a prisão do suspeito, o grupo continuou a aplicar golpes. Ele era o principal influenciador digital influencer da organização criminosa, segundo a Polícia Civil.

Os alvos da operação desta quarta devem responder por crimes de estelionato, falsificação de documentos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária e organização criminosa.

A operação desta manhã é coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Ordem Tributária, vinculada ao Departamento de Combate a Corrupção e ao Crime Organizado (DOT/Decor). Eles contam com a cooperação de polícias civis de Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

 

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