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Nasa anuncia tripulação que irá à Lua em 2024 com uma mulher e três homens

Equipe com mulher, um homem negro e um canadense dá ar de diversidade ao programa

Por Agências
Publicado em 03 de abril de 2023 | 15:30
 
 
 
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A Nasa anunciou nesta segunda-feira (3) o nome dos quatro astronautas que se tornarão os primeiros seres humanos a viajar até as imediações da Lua no século 21 na missão Artemis 2: três homens e uma mulher. O comandante da missão será Reid Wiseman, 47, engenheiro de sistemas, piloto de provas e veterano de uma missão de longa duração à Estação Espacial Internacional, em 2014. O piloto será Victor Glover, 46, engenheiro de sistemas com experiência como oficial da Marinha americana e veterano de uma missão de longa duração à ISS (Estação Especial Internacional) –entre 2020 e 2021, no segundo voo tripulado da cápsula Crew Dragon, da SpaceX.

Como especialistas de missão, Christina Koch, 44, mestre em engenharia elétrica e veterana de uma expedição de longa duração à ISS (entre 2019 e 2020, quando bateu o recorde de maior estadia contínua de uma mulher no espaço), e Jeremy Hansen, 47, saído das Forças Armadas Canadenses e com mestrado em física –o único não americano, primeiro canadense destinado a deixar a órbita terrestre, e o único do grupo a não ter ido ao espaço até o momento.

É uma tripulação diferente das que conduziram as missões lunares Apollo, nos anos 1960 e 1970. Lá, todos eram homens, americanos e brancos. Aqui, uma mulher, um negro e um canadense contraste com o século passado na valorização da diversidade e de parcerias internacionais. A CSA (Agência Espacial Canadense) faz parte do programa Artemis e deve fornecer um braço robótico para a futura estação orbital lunar Gateway, que deve começar a ser construída a partir da missão Artemis 4 (esperada para 2028).

Pela primeira vez, voarão quatro pessoas de uma vez só à Lua. As missões Apollo comportavam apenas três. Entre 1968 e 1972, 24 humanos deixaram a órbita da Terra, e 12 chegaram a caminhar sobre a Lua. Desde então, ninguém voltou a repetir qualquer dessas façanhas até a Artemis 2.

A missão, neste momento marcada para dezembro de 2024, fará o primeiro voo tripulado do programa. Sua predecessora, Artemis 1, voou entre 16 de novembro e 11 de dezembro do ano passado, realizando o primeiro teste bem-sucedido conjunto do foguete lunar SLS (sigla inglesa para Sistema de Lançamento Espacial) e da cápsula Orion (desenvolvida em cooperação pela Nasa e pela ESA, sua contraparte europeia). Foram ao todo 25 dias e meio de voo, mas sem tripulação.

A ideia era testar ao máximo os sistemas com uma missão de longa duração antes de colocar humanos a bordo. Para a Artemis 2, o plano de voo é diferente e mais modesto. Serão cerca de dez dias de duração, no que, ao final, será uma trajetória de retorno livre –significa dizer que, ao ser colocada a caminho da Lua, a espaçonave não precisará de propulsão extra para retornar à Terra.

É uma medida de segurança razoável, adotada também durante as primeiras missões Apollo, para garantir o retorno da tripulação mesmo em caso de falhas no caminho.
A diferença é que, nos voos do século passado, a espaçonave enfim era inserida em órbita da Lua e, com isso, deixava a trajetória de retorno livre, requerendo nova queima do motor para se colocar uma vez mais a caminho da Terra. Isso não acontecerá na Artemis 2; a cápsula fará apenas o contorno da Lua, a uma distância considerável (cerca de 10 mil km), e já estará na rota de retorno, realizando um trajeto similar a um oito.

A partida também será consideravelmente diferente das missões Apollo (e da Artemis 1). Após o lançamento, os astronautas darão duas voltas em torno da Terra. A primeira órbita será uma elipse com apogeu de cerca de 2.900 km e período de cerca de 90 minutos. Para a segunda, o segundo estágio do SLS elevará a altitude máxima para 74 mil km, numa órbita que durará 23,5 horas, antes de se separar da cápsula.

A Orion então usará seus manobradores para realizar aproximações do estágio, testando os sistemas que serão requeridos para futuros encontros e acoplagens no espaço. Depois disso, usará seu motor principal para dar um empurrão final para longe da Terra a injeção translunar. A gravidade da Lua e da Terra farão o resto. O trajeto até a Lua será de quatro dias, e outros quatro serão requeridos para o retorno, totalizando dez dias de missão.

MUITO EM POUCAS MISSÕES

Pode até parecer uma realização modesta, dado que, em dezembro de 1968, a Apollo 8 se inseriu em órbita lunar baixa logo na primeira viagem até lá. Mas vale destacar que a Artemis 2 deve bater os recordes de veículo tripulado a ir mais longe da Terra (Apollo 13,  em 1970, foi a 400.171 km) e de reentrada mais rápida na atmosfera (Apollo 10, em 1969).

Também cabe lembrar que SLS e Orion são veículos inteiramente novos, que ainda precisam ser testados em todas as suas funções. E, no fim das contas, o que a agência espera realizar com apenas três missões (Artemis 1, 2 e 3) o programa Apollo executou com seis (voaram com o foguete lunar Saturn V as missões não tripuladas Apollo 4 e 6, e as tripuladas 8, 9, 10 e 11, até o primeiro pouso). Isso sem contar voos-teste que não tiveram tripulação ou que não usaram o Saturn V, como a Apollo 7 (tripulada, mas em órbita terrestre).

Caso seja concluído com sucesso, o voo marcado para o fim do ano que vem pavimenta o caminho para a Artemis 3, que, pelos planos da Nasa, deve realizar a primeira alunissagem tripulada do século 21. Por enquanto, a agência espacial americana mantém o cronograma de tentar realizar essa missão de pouso na superfície da Lua ainda em 2025, mas é bem provável que escape para 2026 ou mesmo 2027.

(Salvador Nogueira / Folhapress)

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