Negociação

Pressionado, Zema tenta encontrar com Lula em busca de plano B para dívida de MG

Não consta na agenda oficial do presidente Lula nenhum encontro com o governador, conforme é de praxe nesses casos

Por Manuel Marçal I Fransciny Ferreira
Publicado em 20 de novembro de 2023 | 10:26
 
 
 

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), participa da solenidade de lançamento do segundo pacote pela Igualdade Racial, nesta segunda-feira (20), no Palácio do Planalto, em Brasília. Todos os chefes de Estado foram convidados pelo Ministério da Igualdade Racial para comparecerem ao evento. 

Não consta na agenda oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, nenhum encontro oficial e privado com o governador. Contudo, há uma expectativa de auxiliares do governo mineiro para que se tenha uma brecha na agenda do petista e esse encontro ocorra. 

Ao chegar na sede do governo federal, o chefe do Executivo mineiro optou por não falar com a imprensa. Zema cumpria, nas últimas semanas, missão oficial na Ásia, e chegou ao Brasil no último sábado (18). O vice-governador Matheus Simões (Novo) também está na capital federal. 

A viagem do mineiro e de sua equipe a Brasília tem como objetivo iniciar, mesmo que tardiamente do ponto de vista político, um diálogo com Lula a respeito da dívida bilionária do Estado, prevista para atingir R$ 161 bilhões até dezembro. Este gesto por parte do governador, no entanto, foi motivado pela pressão pública que recebeu sobre o tema.  

 

 

Persistindo em sua postura crítica em relação a Lula, o governador evitava qualquer diálogo com o presidente, apesar de ele ter o poder de negociar sobre o assunto. Diante dessa postura, a interpretação da bancada mineira em Brasília era a de que o governador demonstrava ineficácia na busca por uma solução concreta para o impasse financeiro, sendo publicamente constrangido pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Em um intervalo de uma semana, Pacheco se encontrou com Lula em duas ocasiões distintas, no Palácio do Planalto, para discutir sobre o débito do Estado. Além disso, deu declarações públicas cobrando que Zema conversasse com o Executivo federal. 

Intensificando a investida de ser o “protagonista” da solução da dívida, o senador também se reuniu, na última semana, com o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), e outras lideranças da Casa. O encontro ocorreu na presidência do Senado, em Brasília, e eles fecharam uma proposta alternativa. 

Ao ser pressionado nesse meio tempo, Zema chegou a enviar para a capital federal um ofício ao Senado pedindo ajuda de Pacheco nesse imbróglio. As três alternativas apresentadas pelo governador, no entanto, não chegaram a entrar no documento fechado pelas lideranças mineiras. Técnicos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e do Senado, inclusive, se reúnem nesta segunda para avaliar tecnicamente o assunto. 

Atraso na busca por solução 

Desde que assumiu o comando do Estado, em 2019, Zema tem falado sobre a dívida pública estadual, mas somente resolveu tomar uma atitude efetiva no segundo semestre deste ano, quando enviou de fato o plano de adesão de Regime de Recuperação Fiscal (RRF) para a ALMG. Contudo, o prazo para aprovação é apertado: 20 de dezembro deste ano - prazo que cai liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) de adiamento do pagamento da dívida. 

Além disso, o Executivo mineiro tem encontrado resistência dos parlamentares no Legislativo, ainda mais com a descoberta no meio do caminho de que a dívida aumentou consideravelmente (45%) durante os últimos anos. Soma-se a isso contrapartidas caras para os deputados estaduais, como a privatização de empresas estatais e congelamento no reajuste no salário dos servidores, a menos de um ano das eleições municipais de 2024.

Como pano de fundo dessa busca por protagonismo também está a pretensão do PSD de Minas de ter um candidato ao governo de Minas nas eleições de 2026. Pacheco é um dos nomes ventilados para a disputa, e não descarta entrar no páreo. Enquanto isso, Zema tenta emplacar o sucessor, que hoje seria o vice-governador de Minas, Matheus Simões.

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